domingo, 7 de dezembro de 2008

Educação Física, seus conteúdos e seus campos.

Para iniciar uma discussão em torno da educação física como componente do ensino e da formação de um indivíduo é importante que tenhamos em mente o que compreende, em torno de assuntos, a educação física.

Um das linhas de trabalho que muito me encantam ao projetar aulas, sendo elas na visão escolar ou não, é a da cultura corporal de movimento. Bracht (2004) relata na cultura corporal de movimento uma linha que visa as “expressões concretas, históricas, modos de viver, de experenciar, de entender o corpo e o movimento e as nossas relações com o contexto”.

Analisando a prática sob tal visão temos todo o movimento exercido pelo corpo como um momento de aprendizado.

Quando pensando em torno do ambiente escolar temos na cultura corporal de movimento um leque diverso de temáticas que, independente da qual for, nos leva a integrar e descobrir movimentos e habilidades corporais em nós mesmos. Como defende Betti (1998) quando fala da cultura corporal de movimento, dentro da educação física escolar, responsável por formar o cidadão que vai utilizar daquele conteúdo trabalhado no seu dia a dia, produzindo, reproduzindo e transformando sua realidade mediante sua vivencia.

Na minha visão o que Betti defende para a educação física escolar deve ser abraçado e defendido para a educação física em todos os ambientes que ela atua.

Quando atuando na academia, o conhecimento deve ser passado, a simples prática pela prática não compensa nem mesmo neste ambiente.

Um aluno que execute uma determinada atividade, sem saber aonde ela atua ou o que ela vai favorecer no seu objetivo correrá grandes riscos de não alcançar o objetivo pretendido.

Quando pensado para um ambiente de ginástica laboral é o mesmo acontecimento. O aluno em todos os casos precisa se reconhecer na atividade para que tenha confiança na execução daquele movimento se apropriando dele.

Quando pensarmos em prática física seria interessante pensarmos que esta é toda a movimentação que nosso corpo realiza durante nossas atividades diárias.

A corrida para pegar um ônibus, a “alongadinha” que damos quando pretendemos pegar algo que está um pouco além do nosso alcance, enfim.

Quando planejamos nossas aulas pensamos nos objetivos mais específicos como aprender a execução de um determinado movimento de uma prática esportiva ou, por exemplo, exercitar de forma estática um músculo afetado em momento de labora. Quando fazemos isso nos esquecemos de um outro objetivo “oculto” que nossa prática também traz que é a vivencia corporal que aquela atividade pode proporcionar, sendo esta vivencia, as vezes, mais marcante para os alunos do que o nosso próprio objetivo.

Essa importância não se dá pelo destaque dado ou não no nosso objetivo “principal” na hora da aula, mas sim por que (convenhamos) o movimento e a vivencia desse movimento nos é mais marcante do que os fatos que levaram a ele acontecer.

Uma criança sempre lembrara de uma aula onde teve uma prática corporal positiva em sua visão, possivelmente ela não se recorde da temática da aula nem do que foi abordado nela, mas aquela prática e aquele movimento serão sempre lembrados. E é nesse momento que entra a nossa abordagem.

O que nos leva a pensar numa questão que a cada dia aumenta entre discentes e docentes da educação física. A prática aliada à teoria, o que é chamado de Práxis.

Nenhum comentário: